terça-feira, 5 de agosto de 2008

"Cadê a responsabilidade da imprensa?"


A imprensa e o poder jurídico lidam com vidas e futuros. A responsabilidade que cai em cima desses setores da sociedade é imensa, mesmo assim um tem "medo" do outro: a imprensa sofre com os diversos processos que caem em cima dela e o judiciário com os cortes de edição que a imprensa faz. Para discutir esses aspectos, a Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) promoveu o I Simpósio Judiciário e Imprensa na semana passada, de 31 de julho a 1 de agosto, na sede da associação, em Florianópolis (SC).
O evento teve como convidados desembargadores, juízes e jornalistas discutindo temas como a difusão de notícias, o direito à informação e a responsabilidade da imprensa, a linguagem jurídica e o jornalista e etc. Segundo a jornalista Marise Westphal Hartke "o direito à informação vem acompanhado da responsabilidade e da ética".
O poder da censura que os processos judiciais podem exercer tem causado repercussão no meio jornalístico. Para o desembargador Newton Janke, "os jornalistas estão se auto- censurando com medo de ações penais". O desembargador mencionou também que quando a emissora publica as fontes, a culpa não deveria ser dela. Mas, existe ainda o sigilo da fonte que Janke chama de "nebuloso".

A ARMA DOS TEMPOS MODERNOS
Nebuloso porque se deve ter cuidado com a informação. A jornalista Marise Hartke afirmou no início da tarde sexta-feira que "a arma dos tempos modernos é a informação e não a bomba atômica". Mesmo com todo esse poder em mãos, os jornalistas nem sempre escutam os dois lados da história em virtude da corrida contra o relógio, afirma a jornalista. Assim, falta a checagem, causando danos muitas vezes irreparáveis.
Segundo o jornalista Carlos Damião ninguém a não ser a justiça tem o direito de chamar outro de ladrão. É isso que a imprensa anda fazendo, já que o repórter e o veículo não tem interesse em amenizar o fato e é por motivos como esses que o jornalista Gonzaga Pereira justifica a queda de credibilidade da imprensa no país. Outro problema que foi posto em pauta pelos painelistas foi o monopólio da informação. O desembargador Lédio Rosa de Andrade alertou sobre um dos maiores perigos à liberdade de imprensa que é a concentração da informação nas mãos de poucos. "A informação está nas mãos das empresas privadas e o segredo é incompatível com a democracia". Ele ainda completa: "a liberdade de empresa é diferente da liberdade de imprensa", mas sabe-se que tais assuntos são quase intocáveis no Brasil.

Karen Koerich Gerber

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